quinta-feira, 1 de abril de 2010

Parte do conto de Humberto de Campos - A escuridão de Lucindo

``Certa ocasião, atendendo à solicitação do Augusto Governante, elevado espírito de sua corte celeste veio ao mundo para ver quais os mais urgentes problemas e as mais prioritárias necessidades dos homens.
Transitando das altas esferas até a superfície terrena, o iluminado anjo observou o vasto corpo ciclópico envolto em pesadas sombras. Apenas fugazes luzinhas brilhavam em sua superfície, pobres lâmpadas de azeite que iluminavam modestamente, aqui e ali, a superfície do globo, ao preço da fuligem e da precariedade, o que demonstrava a imensa necessidade daqueles homens por uma fonte de luz que os tirasse da treva.
Compadecendo-se dos habitantes que tropeçavam na escuridão, amparados apenas por pequeninas lamparinas de óleo, o anjo regressou ao Senhor e lhe comunicou:
-Querido Mestre, no percurso que realizei vi muitas coisas tristes e muitas necessidades perturbando as pessoas. Há violência, há medo, há angústia, há confusão, há crime. No entanto, tudo isto é fruto do ambiente escuro em que todos estão vivendo. Com luz abundante, a violência diminuirá, o medo será combatido pela claridade, a angústia encontrará fonte luminosa para tratar-se e o crime não costuma apresentar-se perante a luz. Assim, meu Senhor, creio que uma usina será a solução de todos os problemas.
-Se esta é a sua conclusão, providencie a edificação de uma potente fábrica de energia para que a luz possa iluminar a Terra inteira e, depois de edificada, acompanhe os efeitos benéficos dessa obra.
Felicitado pela acolhida de sua sugestão, o elevado ser se moveu para que a poderosa usina fosse erguida, o que demandou certo tempo e esforço de muitos trabalhadores...
A usina estava pronta...
-Divino Mestre, conforme sua autorização, a usina está pronta e funcionando. Agora, os problemas a que me referi poderão ser combatidos e solucionados.
-...Voltaremos lá daqui a um ano para ver se tudo está melhor.
...Um ano depois, o anjo regressou à Terra, desta vez acompanhado pelo Senhor em pessoa.
No mesmo trajeto, uma surpresa desagradável...A Terra continuava escura e apenas pequeninas luzinhas à óleo acesas no caminho dos homens.
Sem entender o que se passava, o anjo foi ficando inquieto, preocupado, pois não imaginava o que estava faltando para que a Terra se tornasse luminosa.
Teria a usina se avariado?
Jesus, com sua bondade e sabedoria, afagou-lhe os cabelos e lhe disse:
-Não se culpe, meu filho. Voce fez tudo certo...
-Mas por que o mundo segue  escuro, meu Senhor? Aumentou a violência, o medo campeia brutal, a angústia faz as pessoas ficarem presas em casa, o crime se multiplicou! Por quê?
-Observe bem, filho amado. Tudo o que nos cabia fazer foi feito. No entanto, os homens não se dispuseram a realizar a instalação elétrica de suas casas e ligá-las na rede generosa. Estão acomodados com suas lamparinas. Não querem gastar dinheiro nem ter trabalho na instalação de pobres fios de energia que lhes faltam para acenderem as luzes elétricas. Sentirão saudades do odor de azeite queimado, da fuligem e da claridade diminuta. Preferem ficar como estão, mesmo quando reclamam da escuridão. Como voce pôde ver, o problema não era a falta da usina. Era a falta de vontade e dos pequenos gestos que pudessem tornar efetivamente útil a sua destinação de iluminar.
Dito isto, voltaram para o Divino Gabinete celestial, esperando outra oportunidade para regressarem ao mundo e verem se os homens já tinham feito a parte que lhes cabia.

2 comentários:

Jorge disse...

Amigas da Vila,

Muito bom este texto.

Temos tudo nas mãos, mas não queremos suja-las. Assim tá bom.
Mas o belo da vida, é que nada se estaciona por muito tempo. Seremos empurrados para prosseguir mesmo qye seja pela dor.

Amigas do coração,
tenha uma Páscoa de muita paz e alegria!!!
beijo,
Jorge

Suely disse...

Amada passando para agradecer o carinho e desejar-lhe Feliz Páscoa.Que o Mestre Jesus continue te abençãndo sempre.Beijos na alma

A nossa felicidade será naturalmente proporcional em relação à felicidade que fizermos para os outros.

Allan Kardec